ENTRE PROMESSAS E HUMILHAÇÃO, A POLÍTICA DA CESTA BÁSICA EM LAGOA DE DENTRO


O que deveria ser um gesto de cuidado social transformou se em um episódio de constrangimento público e indignação. A gestão do prefeito Camaf anunciou com destaque a entrega de mil cestas básicas à população. No entanto, o que se viu na prática foi um cenário distante da propaganda oficial e marcado por relatos de desrespeito a quem mais precisa.


Segundo relato levado à Delegacia de Polícia, uma mulher afirmou que, ao receber a cesta básica, percebeu a ausência de itens essenciais. Ao retornar para solicitar a complementação, teria sido tratada com desprezo pelo prefeito, que se recusou a atender o pedido e a teria chamado de "sem palavra", afirmando ainda que ela não merecia a feira por fazer críticas à atual gestão.


Ainda conforme o registro e um vídeo amplamente divulgado nas redes sociais, o prefeito teria orientado a cidadã a "procurar seus direitos na delegacia", postura que, para muitos, simboliza a inversão completa do papel do gestor público, que deveria acolher, ouvir e resolver, e não intimidar ou desqualificar.


O caso ganha contornos ainda mais graves quando a mulher afirma que Camaf teria assumido, em momento anterior, o compromisso de oferecer um emprego ao filho dela, atualmente em São Paulo, como forma de viabilizar o retorno do jovem ao convívio familiar. Promessa que, segundo o relato, jamais foi cumprida, somando se a tantas outras expectativas frustradas pela atual administração.


A indignação cresce porque o discurso do "novo", tão explorado na campanha, começa a ruir diante da realidade. O que se anunciava como mudança hoje é percebido por parte da população como autoritarismo, personalismo e perseguição a quem ousa discordar. A política pública, que deveria ser impessoal, passa a ser tratada como favor, e o direito social básico é condicionado ao silêncio e à submissão.


Distribuir cestas básicas não é ato de generosidade pessoal, é dever do Estado. Humilhar cidadãos, expor mães de família e transformar a fome em instrumento de retaliação política é algo que não pode ser naturalizado. A população de Lagoa de Dentro não pede privilégios, pede respeito, dignidade e coerência entre o que foi prometido e o que efetivamente é entregue.



O episódio revela uma gestão que, ao invés de dialogar com as críticas, tenta calá las. E quando um governo passa a tratar o povo como adversário, quem perde não é apenas uma mãe na fila da feira, é toda a cidade.


Fonte: Vale News PB


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